Fazendo o pensamento enxuto (lean thinking) dar certo! - Kaizen

06/02/2017

Na primeira publicação de engenharia sobre pensamento enxuto levantei questionamentos relacionados à metodologia. Conceitos inovadores têm a caracteristica de não serem óbvios e irem contra nossas expectativa, dessa forma é mais fácil para compreender se pudermos medir. Os livros de gestão estão recheados de antes/depois de empresas bem-sucedidas no uso do lean. Mas isso cai por terra quando vemos empresas falirem (por ingerência) tentando aplicar métodos enxutos.

A falha pode vir das ferramentas e pessoas. 

Sim, é possível falhar utilizando a metodologia o JIT. A razão é simples e direta: a escassez de informação sobre a implementação, comum a maioria das teorias gerenciais. A falha pode vir das ferramentas e pessoas.

Ferramenta: Kaizen

Kaizen é definido como melhoria contínua e incremental de uma atividade para criar mais Valor e menos desperdício. Eventos são aplicados para incentivar a todos os envolvidos no processo produtivo a fornecerem ideias e ações para aumentar a produtividade e reduzir as perdas. De modo geral todos os funcionários são incentivados a fornecer sugestões e alternativas de melhoria.

Mas vai além, essa ferramenta é essencial para mudar os processos e criar novos equipamentos e ferramentas. No exemplo da louça a ser lavada versus o desperdício de água, do primeiro post, está claro que se a torneira for do tipo tradicional e utilizada do modo tradicional o pensamento enxuto terá resultados inferiores aos do sistema "separa tudo, ensaboa tudo, enxagua tudo e seca tudo" (sistema de departamentos e estoques). Uma forma de resolver esse desafio é repensando o sistema e quem está mais apto a resolver é o proprio executante da atividade!

A melhoria contínua está ligada a ciclos que fazem a equipe repensar e inovar. No entanto essas inovações e reflexões devem estar orientadas para viabilizar o Fluxo de Valor e sempre agregar Valor ao produto/serviço. Quem garante essa orientação é o agente da mudança, isto é, "um agente de fora, convidado por um sistema para ajudar, por meio de mudança planejada, a melhorar esse sistema" (Lippitt, 1958, apud Hesketh, 1979).

O Ciclo PDCA é uma ferramenta do Kaizen concebida por Walter A. Shewhart (Periard, 2011). Campos (2004) propõe a distribuição de um projeto em quatro etapas sequenciais: Planejamento (Plan), Execução (Do), Verificação (Check) e Ação (Action). Dentro da ferramenta, Planejamento compreende todo processo de detecção do problema até a definição formal dos métodos de execução. Execução é a etapa de realização da tarefa dentro das metas estabelecidas no Planejamento. Verificação é a análise do Executado confrontado com o Planejado. E Ação é a etapa que registra todas as etapas anteriores e age para garantir os melhores resultados no futuro. Ao término da etapa Ação o projetista retorna ao início do ciclo garantindo assim a estrutura para melhoria contínua.

Cliclo PDCA

Apesar do Kaizen ser capaz de resolver os problemas é preciso de mais que isso para que uma empresa prospere. Conhecer o Lean apenas não basta e é preciso encontrar o líder certo, ter conhecimento profundo das técnicas de gestão existentes (não só lean), conhecimento técnico do negócio, mapear os fluxos de valor, exigir resultados imediatos (mesmo que pequenos), iniciar imediatamente por algo relevante e importante, ter transparência, reorganizar a empresa por familias e fluxos de valor, elaborar estratégias de crescimento, eliminar os cabeças-duras e recomeçar tudo de novo (adaptado do livro A mentalidade exnxuta nas empresas do capítulo Um plano de ação de Womak). 

Em breve falarei mais detalhes sobre o Valor percebido pelo cliente, Kanban, Poke-Yoke, TPM e liderança.

Por Marcos Alcântara

Referencias

Campos, V. F. TQC Controle da Qualidade Total (no estilo Japonês). Nova Lima, MG, INDG Tecnologia e Serviços Ltda, 2004. 

Hesketh, J. L.; Ottaway,R. N. Características dos agentes de mudança. Revista Adm. Empres., Vol. 9, nº3, São Paulo, 1979. 

Lippitt, R.; Watson, J. & Westley, B. The dynamics of planned change. New York, Harcourt, Brace & World, 1958.  

Periard, G. O ciclo PDCA e a Melhoria Contínua. Sobre Administração. 2011.

WOMACK, J. P., JONES, D P. A mentalidade enxuta nas empresas: elimine o desperdício e crie riqueza. Rio de Janeiro, RJ. Elservier, Ed.15, 2004.