Ferramentas de Pareto

24/03/2017

Este artigo segue a linha dos anteriores sobre indicadores (Parte 1 e Parte 2). Apresenta dois dos principais engenheiros do século XIX e introduz parte prática dos seus estudos voltados à gestão industrial na análise de KPI's.

Poucas causas são vitais, sendo a maioria delas triviais". - Vilfredo Pareto

Vilfredo Pareto foi um engenheiro franco-italiano nascido em 1848 que desenvolveu diversos conceitos e técnicas que transformaram as ciências sociais, economia e política. Entre seus trabalhos estão o conceito de Regra 80/20 e Ótimo de Pareto. Os resultados são mundialmente referenciados e praticados por gestores como ferramentas que auxiliam a análise e tomada de decisão.

Regra 80/20 e Diagrama de Pareto

Como resultado de seus estudos e análises Pareto percebeu que "poucas causas são vitais, sendo a maioria delas triviais" (Mariani, 2005), no original "the vital few and the trivial many". Esta conclusão foi, e continua sendo, contínuamente medida e verificada! 

Foi o engenheiro e mestre da qualidade Joseph Juran que expandiu o conceito de Pareto com sucesso na indústria. Joseph Juran foi contemporâneo de Edwards Deming, esteve no Japão pós-guerra e foi um dos pilares para a revolução da qualidade. A transformação das conclusões de Pareto em ferramenta da qualidade permite a economia de tempo e esforço para obtenção de melhores resultados.

A ferramenta da qualidade Diagrama de Pareto, ou gráfico de Pareto, trata-se de um gráfico de barras com valores do indicador analisado no eixo vertical à esquerda, percentual do valor acumulado total no eixo vertical à direita e os sistemas no eixo horizontal. Para executar a análise basta observar a linha de percentuais acumulados até o índice 80% e verificar quais são os sistemas que correspondem à esse percentual de influência no indicador geral.  

Exemplo prático

Exemplo: O indicador Número de Peças Danificadas pode ser estratificado por cada modelo, sendo eles: A1, A2, B1, B2, C1 e C2. O resultado da estratificação é exposto em um gráfico de barras em ordem decrescente. No mesmo gráfico, sobreposto, um novo gráfico de linha é desenhado. Este ultimo gráfico é composto do valor que corresponde ao percentual de peças danificadas somado com o percentual de peças danificadas dos modelos anteriores em ordem decrescente (ver fórmula abaixo), assim o gráfico desenhado é a curva das porcentagens acumulada.

Onde, 

Percentual Acumulado é o valor correspondente ao percentual de peças danificas somado ao valor de cada um dos percentuais dos modelos anteriores em ordem decrescente. 

n é o número correspondente à posição do modelo quando listado em ordem decrescente.

NPD é o Número de Peças Danificadas que pode ser total ou por modelo (n). 

É possível fazer esse gráfico no MSExcel com poucos minutos como o vídeo abaixo mostra. Na versão 2013 tem inclusive uma opção de gráfico de Pareto direto sem ter que recorrer às formulas e funções demonstradas.

Interpretações do Diagrama

Ao observar o gráfico de Pareto do Exemplo é perceptível que 80% das peças danificadas estão compreendidas em 4 modelos (A1, B1, C1 e A2). Ou seja, para resolver 80% dos problemas com danos só é necessário atuar em 4 produtos (sistemas). Desta forma o direcionamento de esforços são mais eficazes.

Poucas causas são vitais, sendo a maioria delas importantes" - Versão da citação de Pareto modificada por Joseph Juran

No entanto os outros 2 modelos também continuam com falhas. Mas depois de atuado e sanadas as falhas dos 4 modelos iniciais o indicador é atualizado e será natural que os B2 e C2 se tornem os próximos líderes em falhas. 

Para deixar claro quanto à importância de não se esquecer os 20% menos vitais citados por Pareto, Juran tinha sua versão para a frase síntese da regra 80-20 reapresentando-a assim: "the vital few and the useful many" ou, em tradução livre, "poucas causas são vitais, sendo a maioria delas importantes".

Uma das aplicações práticas e funcionais da análise do Diagrama de Pareto é que ela permite uma interpretação puramente lógica. Isso permite a implementação de algoritmos capazes de identificar as principais causas impactantes de um indicador e gerar relatórios ou, até mesmo, tomar medidas de controle sem ação humana direta. Por exemplo, um sistema de rede pode detectar que de todos os dados transmitidos 80% dos que apresentam problemas vêm de algumas poucas fontes, então, automaticamente, o software de controle da rede pode mudar o acesso ou bloquear essas fontes para aumentar a qualidade da rede.  

É importante notar que Juran expandiu essa ferramenta para todo e qualquer indicador, fazendo desta ferramenta um aliado importante do gestor principalmente se em conjunto com outras ferramentas da qualidade.


Ótimo de Pareto

Tem-se o Ótimo de Pareto quando não é possível melhorar a situação de um agente, sem degradar a situação de outros".

Indicadores de Eficiência são difícieis de serem quantizados por sua característica global que, em condições normais, são sensíveis a uma infinidade de variáveis. Por exemplo, em um transportador de correia industrial fatores como desgastes de cada peça, peso específico de cada componente e carga, vibrações, temperaturas, incidências de campos eletromagnéticos, fenômenos geológicos são apenas alguns que podem contribuir para a eficiência. Gerenciar todos esses indicadores são caros e tornam a gestão com uso de indicadores quantitativos imprecisa, isto é, possui uma margem de erro. 

Ao observar o indicador Eficiência na economia o número de variáveis se mantém alto e recebe a componente humana. Essa por sua vez, trás variáveis subjetivas. Por essa razão é possível classificar Eficiência como um indicador qualitativo, isto é, não medido, mas observado e controlado sob aspectos de padrões estabelecidos.

O  conceito de Ótimo de Pareto, ou Eficiência de Pareto, é voltado especialmente a relações de troca (econômicas). Na prática, Pareto presenta um método que permite a análise quantitativa do indicador Eficiência De Uma Negociação. O procedimento consiste em analisar taxas e curvas para determinar as Eficiências nas trocas, na produção e no mix de produtos e com estes indicadores. Eduardo Oliveira (2010) sintetiza que tem-se o Ótimo de Pareto "quando não é possível melhorar a situação de um agente, sem degradar a situação de outros". 

Para entender mais detalhadamente sobre a teoria do Ótimo de Pareto recomendo os links disponíveis neste artigo e as referencias.

Referêncais

MARIANI, C. A.. Método PDCA e ferramentas da qualidade no gerenciamento de processos industriais: um estudo de caso. Revista de Administração e Inovação, São Paulo, vol. 2, n. 2, p. 110-126, 2005.