O pensamento enxuto (Lean thinking)

24/01/2017

No pós-guerra a engenharia de produção japonesa apresenta um novo modelo de produção industrial. Taiichi Ohno apresenta o modelo de mentalidade enxuto que visa eliminar os desperdícios das etapas de produção, mas ancorado no conceito de Fluxo de Valor. 

Para se ter uma mentalidade enxuta pesquisadores Womack e Jones sustentam a necessidade de entender cinco conceitos. São eles:

  1. Valor é a qualidade de um produto específico que atende a uma demanda de um Cliente. Quem gera o Valor é o produtor, mas quem especifica o Valor de um produto é o Cliente. 
  2. Fluxo de Valor são processos inerentes ao produto que visam gerar Valor para o Cliente. É importante o entendimento de que esses processos se iniciam no conceito do produto, seguem o desenvolvimento e inclui o pós-venda.
  3. Puxar é a ação de entregar Valor contido em um produto, por meio de um Fluxo de Valor, após a solicitação de um Cliente. (É o Cliente quem puxa!)
  4. Takt é uma expressão que significa "tempo preciso". No contexto de produção, expressa o tempo que sincroniza a velocidade de produção às vendas (demanda do Cliente).
  5. Perfeição é a eliminação total de desperdícios. Dentro do pensamento enxuto significa o aperfeiçoamento contínuo com técnicas de Kaizen.

Quem gera o Valor é o produtor, mas quem especifica o Valor de um produto é o Cliente. 

A visão do processo sob a ótica desta mentalidade enxuta provoca uma sisma nos métodos mais tradicionais de produção, embasados no Taylorismo, por exemplo. As divisões propostas (e impostas) verificadas na existência de seções, departamentos e responsabilidades limitadas são percebidas como geradores de desperdício! Tudo o que não gera valor é desperdício, ou seja, passar a atividade de um setor ao outro ao invés de todos os envolvidos estarem no mesmo grupo é desperdício. 

Essa visão necessariamente criará desafios dentro de uma cadeia de produção para eliminar problemas como espaço físico para produção em massa, como atualmente. Mas o sistema Toyota, que adotou a mentalidade enxuta, provou que produzir sob demanda (just in time) pode reduzir drasticamente os custos com estoques sem perder competitividade. 

A mentalidade enxuta é contrassenso. Estamos condicionados a separar atividades em etapas que geram estoques e filas. Para lavar loucas, por exemplo, é comum separar todas as louças , ensaboá-las, enxaguá-las, enchugá-las e guardá-las até que alguém as use. Se entender que o Cliente quer uma louça limpa para usar (Valor que o Cliente dá à louça), o profissional com mentalidade enxuta sabe que deve pegar uma louça e passá-la pelo processo o mais rápido possível e efetuar a entrega. 

Questões como "e o desperdício de água?" ou "mas assim gera atrasos e pilhas de louças sujas" são comuns e compreensíveis. Para responder a essas questões outras ferramentas e conceitos do sistema japonês são necessárias. Em breve falaremos mais sobre esses conceitos e como eles resolvem a essas questões e outras tantas.

Referencias:

WOMACK, J. P., JONES, D P. A mentalidade enxuta nas empresas: elimine o desperdício e crie riqueza. Rio de Janeiro, RJ. Elservier, Ed.15, 2004.

OHNO, T. Gestão dos Postos de Trabalho. E-book. Porto Alegre, RJ, Editora Bookman, 2015.

OHNO, T. The Toyota production system: Beyond large-scale production. Portland, Oregon: Productivity Press. 1988.

Produzido por Marcos Alcântara